Sinbad the kakapo, dancing
Um Kakapo realiza a sua dança.

Kakapo History

De momento, só existem 54 Kakapos no nosso planeta. Há tempos atrás, a Nova Zelãndia tinha milhares destes papagaios gorduchos. Durante muito tempo não tiveram predadores naturais e a sua infeliz situação deve-se inteiramente à chegada de humanos às ilhas. A nova Zelândia não teve mamíferos (Com a excepção de duas espécies de morcegos)durante milhões de anos. O único predador conhecido nessa altura, era uma àguia gigante que há muito se encontra extinta.

Há alguns milhares de anos atrás, os primeiros povos polinésios chegaram e dizimaram a população de Kakapos existente com a caça e o corte e destruição das florestas onde as aves viviam. Também trouxeram com eles a ratazana da polinésia (os kiore), assim como muitos outros mamíferos.

A situação piorou com a chegada dos Europeus há cerca de 150 anos. Enormes àreas foram devastadas para a construção de quintas e com eles vieram muitos predadores, como as doninhas, gatos, arminhos, ratazanas e cães, que fácilmente matavam os kakapos pois a ave não os reconhecia como perigosos. Porquê? Porque o Kakapo tinha vivido milhares de anos sem mamíferos á sua volta. Não tinham que evitar estes tipos de predadores. Perderam a faculdade de voar porque não tinham que voar para escapar de nada, o que os deixou completamente indefesos. Quando confrontado com um inimigo, o Kakapo não ataca nem foge, mantém-se quieto e espera que a sua plumagem o confunda com a vegetação. Este esquema resultou durante muitos séculos, quando os únicos predadores eram àguias gigantes ou aves que contavam com a apurada visão para caçar. Hoje esse esquema não resulta com os predadores mamíferos que usam o "faro apurado" na caça e para infelicidade do kakapo, o seu cheiro é forte, doce e almiscarado.

As peles de Kakapos eram muito procuradas e de grande valor para o povo Maori. Muitas capas eram feitas de penas de Kakapo que também eram usadas para encher colchões e almofadas. Alguns estudos apontam para o Kakapo como o seu principal alimento até à introdução de um tipo de batata doce (a Kumara).

Em 1845, o primeiro Kakapo foi encontrado por um Europeu. A ave foi apanhada para uma refeição saborosa - e assim começou o assasínio em massa. Durante a corrida ao ouro (1860-70), os mineiros viveram de Kakapos que caçaram até se fartarem do sabor da carne. Explorações eram baseadas no Kakapo como alimento principal e, mais tarde, turistas mataram e alimentaram-se também dessa ave.


Um Kakapo continua a sua dança.
A pele do primeiro Kakapo foi enviada para Inglaterra onde foi estudada e descrita. Em 1889 o Kakapo era tido como o mais velho e menos desenvolvido dos papagaios. Mas nada disto fez com que parassem de matar o desprotegido Kakapo. De facto, a procura de peles embalsemadas aumentou por o animal ser tão estranho.

Por volta do ano 1934, espécimens do Kakapo foram instaladas em museus e colecções privadas em todo o mundo. O mercado estava tão cheio de peles de Kakapo que chegaram a valer meia dúzia de tostões, eram tão abundantes que os matavam para alimentar cães. Com todas estas perseguições pelos humanos, em 1930 o Kakapo era extinto da ilha do Norte da Nova Zelândia

Apesar da matança feita pelo homem ter parado, a caça por predadores trazidos para as ilhas continuou. Os "Kiores", ratazanas da polinésia, introduzidos pelos Maoris foram um dos principais factores do declínio da população de Kakapos, muito antes da chegada dos Europeus. Mas o problema mais grave começou quando gatos, cães e outros animais foram introduzidos nas ilhas. Até os veados ajudaram no extermínio dos Kakapos ao competirem com eles pelas plantas mais suculentas e ao eliminarem as de melhor paladar. Os principais culpados foram as doninhas e os gatos bravos que ocuparam os bosques, florestas e matas habitadas pelos Kakapo. Os kakapos começaram a ficar sem comida, sem sítio para viver e sem exemplares para propagar a sua espécie.

Mais sobre como o Kakapo ficou em perigo.